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Nossa chuva de graças

Autora: Larissa Polli
Extrema / MG
Publicado em 28/02/2014

chuvaHá meses atrás uma chuva mansa caiu sobre nossa terra. Mal pensávamos nós que ela demoraria tanto para voltar…

Passaram-se dias, semanas, passou-se o mês, e cadê a chuva? Nem sinal dela! Começou então o desespero: a água já estava escassa nas casas, as empresas responsáveis por distribuí-la começaram a racioná-la, os donos de fazendas, ou os simples criadores de animais sofriam ao ouvir seus gados “berrando” durante toda a noite, inúmeras pessoas se comoviam ao ver a represa, que se encontrava quase em terra pura.

Foram dias angustiantes, a população toda possuía um só assunto: a falta de água e os danos causados por ela. Ao andar pela rua o clima seco e o calor excessivo eram sempre notados. Ao observar um homem, já com grande experiência de vida, era possível notar em seu olhar um pedido de clamor, notar em seu semblante tamanha preocupação e desespero, afinal, como é que poderíamos viver sem esse bem tão precioso? Não é possível!

Os dias se passaram e a agonia apenas aumentava. A natureza tão bela parecia já não ter mais vida, parecia implorar por uma gota d’água vinda do céu. As tardes, todas iguais, enchiam-nos de esperança, mas rapidamente eram levadas pelo vento… Nelas era possível observar o céu, as grandes nuvens carregadas, que logo iam embora.

Finalmente, num dia ensolarado como todos os outros, ao olhar longe na linha do horizonte, conseguimos enxergar uma mansa e abençoada chuva chegando, trazendo consigo a esperança que havia levado. Alegria, esse foi o sentimento de tal momento.

Depois de tantos dias implorando para que das minas brotasse água, trazendo consigo flores e vida a nossa cidade, agradecemos com grande alegria o Criador pela chuva de bênçãos enviada.

Além do mais, “Deus está nos mostrando a própria realidade do mundo de hoje, o mundo da extravagância, do desperdício, da desvalorização, e através de momentos como este, mostra-nos o grande valor da vida, o quanto devemos respeitar o que ele próprio nos deu!”.

Lembrem-se: a água é vida, por isso devemos cuidar muito bem dela!

A costureira da esquina

Autor: Larissa Nobre
Florânia/ RN
Publicado em 27/02/2014

hahahahahCom seus setenta e tantos anos, minha vizinha dona Clotilde não aparentava a idade que tinha. Mesmo com seus cabelos grisalhos – refletindo um nevoado dia nublado – e sua pele pregueada pelo tempo, ela literalmente era uma “coroa enxuta”, rs. Era costureira. Toda a criançada do bairro a adorava, principalmente as meninas que sempre eram presenteadas com roupinhas de boneca de retalhos, feitas por ela mesma.

Não tinha filhos, nem marido. Morava sozinha em uma pequena casa na esquina de minha rua. Passava seus longos dias costurando, e suas máquinas não eram sofisticadas, pelo contrário, eram bem antigas, mais pareciam rocas.

Gostava de agradar seus vizinhos, e na tão esperada sexta-feira, o cheiro de sua deliciosa sopa tomava conta de toda a rua. Convidava alguns para comerem, inclusive eu. Após alguns minutos agradando nosso paladar, deitava-se em sua preguiçosa rede, sempre com um cigarro entre os dedos e descansava após a “comida”.

Sempre contava às crianças histórias do tempo da sua avó. Os olhos inocentes ficavam vidrados em seu rosto vivido… Era como se lhe pedissem para continuar a contar.

Passado um tempo, eu ia saindo a passeio, e vi um bocado de gente em frente a casa dela. Logo após, soube que ela falecido. Afirmaram que de velhice, foi a óbito.

Lamentei sua morte juntamente com a vizinhança, que tinha um imenso carinho por ela. Dias se foram e chegou a primeira sexta-feira após o ocorrido. Enquanto eu passava em frente à casa de dona Clotilde, pude sentir ainda o cheiro de sua deliciosa sopa, que deixou muitas saudades.

O mesmo vento que nos tira algo, é o que nos traz…

Autora: Érica Azeredo
Vale Verde / RS
Publicado em 26/02/2014

1964320_461640557295081_556876162_nCerro da Catedral, cidade de Bariloche, Argentina, janeiro de dois mil e quatorze, férias de verão.  O vento soprava forte, qualquer um sentia-o escorregando por entre os dedos e assoviando pelas frestas. O sol iluminava, lutando bruscamente para aquecer aquela parte da Terra situada próxima às geleiras. O objetivo do dia: andar no teleférico do cerro.

De dentro do carro, eu examinava bem no auge das montanhas o degelo, só restava vestígio de um inverno rigoroso. O infinito estacionamento estava deserto, somente um grupo de estrangeiros sentados e um ciclista a intervalos de distância. Estátuas de bonecos de neve, que pareciam não pertencer àquele lugar.

Ao abrir a porta do carro, um papel voou com a força do vento.  Eu, ligeiramente, tentei pega-lo, mas ele dançava e dava piruetas no ar, quanto mais eu corria, mais ele se distanciava de mim. Uma onda de nervosismo e culpa me tomou, aquele poderia ser um papel de suma importância, e eu teria que alcançá-lo de imediato. O mundo parou por instantes, e as poucas pessoas que estavam ali se centraram em mim. Alguns torciam pela minha vitória na luta contra o vento, outros riam da situação. Mas pouco me importava o que pensavam, eu continuava correndo. Sem sucesso! Já tinha perdido as esperanças, meus ombros caíram em sinal de fracasso. Subitamente, vejo o ciclista pedalando forte, rumando em direção ao papel, tentando alcançar a velocidade necessária.

Vejo que ele conseguiu alcançar no fim do estacionamento junto à grama rala e maltratada pelo frio. Veio em direção a mim e, sem demora, estávamos frente a frente. Ao me entregar o papel que criou asas, pude notar sua aparência, seus cabelos eram de um castanho escuro, bem cortados, possuía olhos verdes que refletiam a natureza.  Era muito encantador.

Eu já estava com o danadinho (o papel) em  mãos, e como imaginava que aquele rapaz fosse castelhano, lhe agradeci com “Muchas gracias” e um sorriso de orelha a orelha. Ele também sorrindo, me respondeu “No por eso”.  Dei as costas e ao verificar, percebi que se tratava do recibo de pagamento do camping que ficamos na noite anterior. Tanta correria, tanta angústia, pra nada! O papel logo iria ser colocado no lixo, não fosse o fato de ele ficar jogado na natureza, teria sido tempo perdido correr para pegá-lo.  Mas prefiro acreditar em alguma causa maior, já ouvi algumas vezes a frase “O mesmo vento que nos tira algo é o que nos traz”. Talvez o destino me reservasse algo através de um simples recibo perdido ao vento. Quem sabe? Quem duvida? Fica o mistério e a possível proposta para uma nova crônica.

Três palavras, um coração, mil sentimentos…

Autora: Victória Ordóñez
Araxá / MG
Publicado em 25/02/2014

cronica, duas palavras, um coração, mil sentmineotsVocê costuma dizer “Eu te amo”? Disse ontem? Hoje? Dirá amanhã? E semana que vem?

Hoje em dia é muito fácil ouvir um “Eu te amo” por aí, principalmente na adolescência, onde depois de dois dias já se “ama”. Mas, será que é tão fácil assim? Aliás, o que é amar, o que é o amor?

Ah, o amor! No dicionário é definido como um sentimento de carinho e demonstração de afeto, que se desenvolve entre seres que possuem a capacidade de demonstrá-lo. Esta é a teoria, mas não prática é um pouco diferente. O amor não se planeja, simplesmente acontece sem que tenhamos a opção de aceitá-lo em nossas vidas. Não adianta simplesmente fechar as portas, ele entrará pela janela, e mesmo que você o expulse, só sairá quando quiser. Pode-se dizer que é um bom e “ruim” sentimento ao mesmo tempo, pois nos faz muito felizes, mas também é capaz de nos causar imensa tristeza. Além do mais, quem nunca sofreu por amor?

Muitas pessoas confundem o amor com o afeto, com a paixão… Se você já passou por isso não se assuste, é natural. Há quem diga que isso acontece principalmente quando se experimenta a sensação pela primeira vez. Já outras, dizem que ao longo da vida podemos sentir o amor verdadeiro só por uma pessoa. Independente do que seja, é bom, nos faz bem – ou não.

Até agora falamos apenas sobre o amor entre casais, entre homem e mulher. Mas é importante citar que existem várias outros tipos de amor. O amor fraternal, por exemplo. Um amor único, onde um primo distante pode ser considerado um irmão, uma tia pode ter quase a mesma importância de uma mãe…  É algo que nos traz a coragem de defendê-los com unhas e dentes, uns pelos outros, desde sempre.  E por ser um amor tão grande e intenso, muitas vezes entristece-nos muito… Isso porque, quando se ama quer sempre a pessoa por perto, mas infelizmente “querer não é poder”. Cada um possui seu tempo aqui, e quando o “senhor lá de cima” leva consigo determinado anjo, somos obrigados a aceitar e conformar-nos com a partida, e isso dói muito.

Outro “tipo” é o amor de mãe. É algo que realmente só uma mãe consegue sentir, e até hoje ninguém encontrou palavras suficientes para descrevê-lo. As mães dizem que sentem algo incomparável, único e eterno, que muitas vezes dói por medo de perder, pelo fato de saber que um dia aquele pequeno e indefeso filhote crescerá e se transformará em um lindo pássaro, que sairá voando mundo afora com suas próprias asas, procurando seus próprios horizontes, conquistando seus próprios desejos e sonhos. E isso é natural, além do mais, uma mãe não cria seu filho para si, cria para o mundo, e por eles são capazes de matar e morrer, sem pensar duas vezes. Este, o amor de mãe, com certeza é capaz de mudar a vida de qualquer ser, pois depois de gerar, amamentar, proteger e cuidar tão bem de seu filho como um belo e precioso diamante, as mães são consideradas heroínas de seus filhos.

Existe também o amor da amizade, não necessariamente entre duas pessoas, além do mais, os animais também são amigos fiéis, sejam eles quais forem. O amor de um amigo muitas vezes provoca ciúmes, despertando até mesmo a obcessão. Convenhamos que hoje em dia as amizades são raras, mas quando se encontram são eternas, independente do tempo, distância, raça ou classe social. Um amigo sempre estará disposto a te ouvir, te ajudar. Obviamente, como tudo na vida, possui coisas ruins, altos e baixos. Mas quem vive sozinho? Ninguém consegue ser feliz sem ter um ombro amigo para chorar, seja choro de alegria ou de tristeza.

Independente do amor, muitas pessoas sentem falta de ouvir um “Eu te amo” verdadeiro, enquanto outras ouvem esta frase todos os dias e não dão o devido valor. Os tímidos sentem vergonha de demonstrar, mas não deveriam, pois é algo divino! Então, eis um conselho: Aproveite cada segundo, pois o tempo passa – assim como a mágoa e a raiva –, mas o amor não. Diga “Eu te amo” quantas vezes sentir vontade, pois chegará um momento em que não mais terá oportunidade para isso, então, diga sempre – as pessoas que merecem ouvir .  O importante é amar, então, ame sempre, ame muito, seja quem for, como for… Se entregue , demonstre, mostre ao mundo o quão é bom ser feliz, o quão é bom fazer o próximo feliz! Se até mesmo os animais – considerados como “irracionais” – se amam e demonstram isso, nada nos impede de fazer o mesmo. São duas palavrinhas simples, mas sagradas, que definem e revelam mil sentimentos.

Alegrias passageiras

Autora: Isabella Sales
São João Del – Rei / MG
Publicado em 24/02/2014

kkkkÉ tempo de festa. O Brasil vive a vibração! É Carnaval. São alegrias passageiras.

Carnaval é gente de toda espécie em um mistura frenética de animação e liberdade. Carnaval é época de bebidas, que seja com moderação por mais que não. Ressaca. São amigos que se esbarram ou amizades coloridas.

São amores desfeitos e quase amores feitos, dizem que amor de Carnaval não chega no Natal. Curtição da galera, descoberta dos adolescentes, que estão alçando vôo.

Você pode ser o que quiser, se reinventar, dançar de qualquer jeito. Falando em danças, nesses dias os cantores fazem a festa, lançam os hits do Carnaval.

Desfiles grandiosos e encantadores, enredos que embalam os movimentos dos sambas e das ruas, dos cantos, das avenidas e das vielas.

E pensar que amanhã é outro dia, outro bloco. E mais e mais dias. E o Carnaval? Passou, com ou como suas alegrias passageiras. E mesmo que sejam passageiras, os versos do poeta, já sabiam:

“É melhor ser alegre que ser triste

 Alegria é a melhor coisa que existe…”

E essas palavras estão gravadas na música Samba da Benção. Maestrismo de Moraes.

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