Amor da sua vida ou amor para sua vida?

aehrj-720x340

Há uns dias atrás fui questionada sobre um texto que explicava a existência de somente dois amores, o amor da sua vida e amor para sua vida. Isso me fez refletir sobre como ainda existem pessoas que romantizam relacionamentos como se estivessem vivendo em um filme.

Segundo o texto citado, o amor da sua vida, será aquele amor febril, avassalador, que sempre será teu ponto fraco, mas, não dará certo. Enquanto o amor para sua vida vai ser aquele que vai se encaixar na tua vida e simplesmente dará certo. Acreditar nisso gera muita expectativa e te prende. Não é possível que com 7 bilhões de pessoas no mundo apenas uma vai ser a pessoa certa para você. A vida é cheia de fases, momentos, estamos em constante evolução e amadurecimento e ao longo dela, você vai conhecer varias pessoas com as quais irá se relacionar muito bem, vai viver sim varias paixões, amores, essas coisas acontecem, somos capazes de amar diversas vezes ao longo da nossa existência, amores reais com pessoas reais, que tenham defeitos, inseguranças, medos, sonhos, cicatrizes, pessoas de fato interessantes.

Não existe o amor para sua vida ou amor da sua vida, se prender a essa ideia te priva de conhecer pessoas incríveis e viver historias de amores maravilhosos e reais enquanto você passou a vida toda esperando aquela pessoa certa que sempre fantasiou. Se permita viver de verdade, amar de verdade, por um dia, por noite, por anos, para sempre e se esse para sempre acabar? Você amou e vai amar de novo. Sem formas, rótulos, expectativas, o amor é amor e pronto.

Depois De Você

Autora: Jéssica Lopes
Picuí/PB
Publicado em 19/02/2019

dv

 

    Você acabou não sendo minha constância. Nem muito menos foi a única inspiração para  minhas canções ou, o único rosto que eu fosse ver todos os dias ao acordar. Apesar de termos escrito uma linda historia de amor, não tivemos um final feliz, pois, não passamos de uma possibilidade futura.

     Nossas vidas tomaram rumos diferentes e, foi ótimo isso ter acontecido, nunca ti vi tão feliz. Graças a isso, outra pessoa chegou fazendo uma maravilhosa bagunça na minha vida. Apaixonei-me por outro sorriso, por outro perfume, outras voz, outras manias… Mas sabe, as complicações são bem parecidas, porém, depois de você sei lidar bem com elas. Hoje me encontro mais madura, mas, ainda sim, incapaz de esconder o que sinto. Gosto de como ela ri das minhas piadas, de como chama meu nome quando fica brava, de como fica sem graça com meus elogios e declarações inesperadas. Em cada palavra, gesto e olhar meu, transbordo o quanto eu amo e como é lindo o amor que eu tenho por ela.

Sei que quando se trata de amor sou totalmente vulnerável, mas depois de você, as feridas que me causou, eu aprendi a ser completa sozinha. Quando essa outra pessoa chegou, só me fez transbordar o melhor de mim. E as feridas se tornaram cicatrizes. Lembretes de meu amadurecimento, de tudo que passei para chegar até aqui, e, apesar delas, sempre serei capaz de amar novamente.

Teste De Resiliência

Autora: Jéssica Lopes
Picuí/PB
Publicado em 31/12/2018

resilencia    Foi um ano de quedas e duros recomeços. Feridas foram abertas, outras cicatrizadas. De dias difíceis e outros nem tanto. De choro fácil e de sorrisos teimosos. Um ano cheio de altos e baixos, onde a ansiedade foi minha pior inimiga. 2018 foi um verdadeiro teste de resiliência.

Mas, foi como deveria ser, apesar dos poucos objetivos alcançados, dos árduos recomeços. Foi um ano de amadurecimento e crescimento constante, onde pude encontrar versões melhores de mim. Um ano condicionado em amor próprio e reciprocidade, onde aprendi lidas com minhas falhas e surtos com amor e respeito sem desistir de mim, onde pude também alimentar somente relações verdadeiras, que me motivam a ser alguém melhor.

Foram vários dias nublados, mas vividos intensamente. Onde mesmo ferida não recuei, mesmo com tantas decepções conheci gente bonita, amei, continuei sorrindo mesmo sem motivo, contei com verdadeiros amigos. Sou grata por pequenas coisas que deram certos e as muitas que deram errado, pois tudo é lição, ensinamentos para o novo ano, um novo ciclo cheio de fé que melhores dias virão.

Há quem diga que o futebol explica a vida. Eu sou um deles.

Autor: Victor Hugo Mesquita
Sud Mennucci / SP
Publicado em 15/04/2018

WhatsApp Image 2018-04-08 at 22.32.31

Talvez viver seja um verdadeiro e diário 7×1. Foi como a nossa seleção nos mostrou em campo naquele fatídico dia em 2014: quanto maior a desordem, maior a dificuldade. Pois é, quem diria que aquele jogo, aquela derrota, poderia ser aplicado na vida da gente e nos marcar de forma tão profunda e permanente, numa espécie de tatuagem ou escrita perdurável do próprio destino. A vida e o 7×1 sempre estiveram correspondentes desde aquela data.

Há quem diga que o futebol explica a vida. Eu sou um deles. Não só pelo 7×1, mas por outras semelhanças encontradas nesse esporte milenário.

Das muitas leituras que faço, uma vez me deparei com um texto, em um blog que me foge o nome, mas as palavras do autor mexeram comigo de uma maneira que me marcou. Dizia mais ou menos assim:  “A vida como no futebol é comandado através de um tempo exato que você precisa para marcar o gol e vencer o desafio. No futebol o time tem 90 minutos para marcar o seu gol da vitória, nós como seres fora do campo, também temos o nosso tempo de partida, a nossa linha da vida, que nela é o tempo exato que precisamos para dar o chute certo, marcar o gol e sair vitorioso nos desafios da vida.”

 Há quem diga que o futebol explica a vida. Eu sou um deles.

 

Um café e um velho

Autora: Isabela Cogo
Ponta Grossa/PR
Publicado em 02/03/2018

caféTodas as manhãs passo pelo mesmo lugar, mesmo horário, mesmo uniforme e quase sempre encontro as mesmas pessoas, andando como formigas indo para seus empregos, assim como eu. Rotina de pelo menos um ano. Hoje, de repente, me sinto atraída – mais que o normal –  pelo cheiro de café que vem de uma antiga panificadora de esquina, algumas quadras antes do meu trabalho. Por sorte, ainda é começo de mês e me restam uns trocados no bolso. Fui direto ao balcão e pedi um café preto amargo.

Sentei-me na mesa 4, bem ao centro das outras oito mesas. Tomei um gole do meu café, quente e amargo. Matei meu desejo. Agora sim começo a reparar nas pessoas ao meu redor e em outros detalhes.

Na mesa a minha frente, ao lado da janela, um senhor lendo um jornal, na mesa ao meu lado uma família e nas demais, se não vazias, têm dois ou três trabalhadores comendo apressados. Volto minha atenção ao senhor. Ele também tem um café e um prato grande com meia dúzia de bolachinhas redondas, daquelas que vem com uma geleia vermelha por cima. Ele estava com as pernas cruzadas. Bem magro, mas parecia saudável. Pele clara e olhos castanhos. Usava um sapato social gasto, mas bem cuidado e lustrado. Uma calça social que também parecia velha e uma camisa de manga comprida azul claro com listras finas por dentro da calça. A barba rala e grisalha. O cabelo parecia ter sido cortado uns dois dias atrás. Ele estava realmente bem arrumado.

Pensei em quem ele poderia ser e o que fazia da vida. Parecia-me um escritor, mas não desses modernos não, era mais estilo Machado de Assis. Estaria ele, ali, procurando uma inspiração? Ou distraindo-se da frustação de seus maus escritos? Poderia ser também um jornalista aposentado. Talvez um advogado ou juiz. Quem sabe nem era aposentado. E se fosse um médico? Um dentista? Um frentista ou motorista? Eu nunca saberia. Seria ele um viúvo? Ou apenas resolveu deixar a esposa em paz ao menos no café da manhã? Teriam os dois brigado? Eu nunca saberia. Tivera grandes amigos durante a vida ou sempre solitário, como agora? Que escolas ou faculdades frequentou? Quantas histórias tinha para contar? Mais alegrias ou mais mágoas? Sempre gostou de bolachinhas junto ao café? Eu nunca saberia.

Passados alguns minutos, senti como se estivesse saindo de um transe, tomei meu último gole de café, levantei-me da mesa, paguei a conta e segui meu caminho até o trabalho. Tive uma sensação boa e enquanto caminhava pensei em quem eu era e o que fazia da vida. Seria para sempre uma empregada? Ou uma escritora? Quem sabe uma jornalista? Seria eu, um dia, uma senhora estilosa, com um vestido azul escuro desbotado e sapatos sociais, lendo um jornal em uma panificadora qualquer? Ainda iria gostar de café amargo? Alguém, algum dia, se importaria?

Deixei o velho para trás e com ele as inúmeras histórias que inventei. Durante o dia, minhas tarefas não me permitiram pensar em mais nada. Mas agora, ao me deitar, me pergunto se o senhor estará amanhã novamente no mesmo lugar. Não importa. Mesmo que eu seja atraída pelo seu aroma, já não tenho mais trocados para o café.

O velho nunca saberia.

%d blogueiros gostam disto: